terça-feira, setembro 19, 2006

Dubai. Os 100 dias.

O dia de hoje - 19 de Setembro – fica marcado por essa data simbólica que são os meus 100 dias de Dubai. Foi no dia 11 de Junho que aterrei nesta terra, naquilo que foi o início de uma missão de alguns meses (bem longos) longe do meu país, longe da minha casa, longe da minha família, e principalmente, longe da minha mulher e do meu filho.

Após o deslumbramento inicial dos primeiros dias, onde tudo era novo, tudo era grande, tudo era imenso, a rotina começou-se a instalar. Por exemplo, aquilo que inicialmente achava ser arranha-céus fantásticos passou a ser para mim uma paisagem repetitiva e enfadonha.



O trânsito apesar de o ter achado caótico desde o dia em que cheguei começa-se a tornar cada vez mais irritante. Dá a ideia que cada vez há mais carros a circular e cada vez as pessoas daqui conduzem pior. Devo confessar que estou a adquirir certos hábitos e vícios que não tinha em Portugal, em especial a utilização do travão de mão para ajudar em certas manobras.

Culturalmente falando, e apesar deste ser um país árabe, o Dubai não tem qualquer identidade relacionado com o Islão a não ser as inúmeras mesquitas espalhadas por todo o lado e os cânticos do Al-Corão de chamamento para a reza. Fora isso é uma miscelânea de culturas, crenças, e religiões. A propósito, pessoas com passaporte a dizer “Israel” (com aspas e tudo) não entram.

Socialmente distinguem-se 3 grandes grupos. Os árabes, os estrangeiros que trabalham cá, e os outros estrangeiros que encaram o Dubai como a “Terra dos Sonhos” (AKA as Monhés e Filipinos).

1. Os árabes, sendo este o seu país de origem – de notar que as fronteiras políticas na península arábica são meras linhas no mapa, pois há um “livre transito” entre os países da região – sentem-se em casa e como tal fazem o que lhes apetece onde quer que estejam. São pessoas que devido aos rendimentos dos poços de petróleo têm uma vida mais ou menos e nada ostensiva.

2. Os estrangeiros que trabalham nas empresas sedeadas no Dubai, e uma vez que só se vem para cá trabalhar troco de generosas compensações financeiras também têm uma vida razoavelzinha. (Eu estou aqui!)

3. E por último o tais da “Terra dos Sonhos”. Grande parte da população do Dubai é oriunda do Sudeste Asiático, Índia e Paquistão. Esta população esta dedicada à construção civil, e serviços básicos de manutenção. Possivelmente devem esperar encontrar um árabe ou uma inglesa rica que os tire da miséria.


É impressionante o facto de um árabe e um elemento deste ultimo grupo se cruzarem sem sequer darem um por outro. De tão abismal que é a diferença entre os dois, quando se cruzam é como se estivessem pura e simplesmente sozinhos.

Por falar em construção civil pode-se dizer que Dubai é sinónimo de obras, muitas obras. Por toda a cidade se vêm obras, por toda a cidade se vêm trabalhadores de fato-de-macaco. Esta é uma cidade que cresce a um ritmo alucinante, sem qualquer tipo de ordenamento, tudo por vontade do Sheik Mohammed bin Rashid Al Maktoum. Segundo ouvi dizer o sheik pretende que quando o Dubai for visto do lado do Golfo Pérsico seja confundido com Manhatan. Enfim… manias (e haja guita). Com a quantidade de torres e arranha-céus que estão em construção, (não) quero ver como será o trânsito no Dubai quando tudo estiver completo e habitado.


Pais quente, húmido. País cansativo para onde é impossível ir a qualquer lado a pé pois tudo é longe de tudo. A atmosfera, em parte devido às obras, e principalmente devido a estar à beira do deserto arábico está sempre carregada de pó. Espero que o Inverno chegue aqui depressa para se ter temperaturas um pouco mais amenas.

Mas o Dubai também tem coisas boas. Tem os grandes Hotéis e Resorts construídos para os turistas que cá vêm passar férias. Tem montes de gajas bouas, as melhores gajas as mais bem bouas estão aqui no Dubai (e não em Ermesinde), tem o Chicken Katsu Curry do Wagamama, e finalmente tem uma coisa maravilhosa. Uma coisa que me faz renascer sempre que passo por lá sendo eu o principal interessado. Estou a falar das setas que indicam o aeroporto e do aeroporto em si, sempre que vou de flyback para Portugal. Isso sim. Isso é uma sensação que vale por tudo.

Eu por cá me vou aguentado sempre com um grande sorriso nos lábios (é mentira mas não se precisa de saber) a encarar os próximos 100 dias de Dubai que no mínimo ainda tenho que cumprir.