Uma estória muito triste
A minha vida no deserto tem por vezes algumas incidências que me fazem desejar que certos e determinados dias não acontecessem. De seguida deixo o relato da minha mais recente aventura, que me ia deixando à beira de um ataque de nervos.
Tudo começou na Quinta-Feirinha ao fim da tarde, aquele dia da semana que aqui no deserto é o equivalente à Sexta-Feira para as culturas ocidentais. Um colega da equipa de projecto tinha que ser transportado ao hospital pois estava com um ataque de gota o que lhe provocava bastantes dores (a partir de agora o A.). Voluntariosamente eu ofereci-me para o levar ao American Hospital no centro do Dubai. Como iríamos no carro do meu colega, o carro que estava eu a conduzir ficou para uma outra colega (esta será a S.) que pertence ao grupo da partilha de carros e que por acaso essa noite não ia precisar do carro porque ia para uma festa algures muito longe no Dubai.
Chegados ao hospital, e ao contrario do que seria de esperar, após uma rápida viagem, facto quem me levou a pensar “isto hoje está a correr bem”, estive cerca de uma hora à espera que o meu colega fosse atendido e despachado… um tempo bastante satisfatório refira-se. No entanto, e quando estávamos a sair apalpei os bolsos das calças e reparei que não tinha as chaves de casa. Aqui começaram os primeiros suores frios… onde será que estaria a chave? Lá cheguei à conclusão que a tinha deixado novamente no escritório. Menos-mal pois o escritório ficava a caminho de casa e só teria que fazer um pequeno desvio para a ir buscar.
Almoçamos com mais um colega (o L.) no Noudle House, nas Emirate Towers (sempre com o pensamento perdido na cabeça “espero que as chaves estejam mesmo no escritório”) e após o jantar lá fomos para casa. Entretanto a meio da viagem lembrei-me que um outro colega (o J.) ia de flyback a casa e provavelmente não tinha boleia para o aeroporto. Confirmadas as minhas previsões, ofereci-me para leva-lo ao aeroporto o que significava uma viagem de regresso ao coração da cidade. Mas claro, teria que passar primeiro pelo escritório para apanhar a chave.
Finalmente no local de trabalho, constato horrorizado que a chave também não estava na minha secretária. Vasculhei tudo o que eram gavetas e mochila, mas nada… foi aí que começaram os suores verdadeiramente frios, e também todo o meu reportório de injúrias, blasfémias e palavras feias. Após muito puxar pela cabeça lembrei-me que a chave possivelmente estaria no carro que tinha deixado à S., que não ia precisar dele pois ia para um festa algures muito longe (não sei se já tinha dito).
Liguei à S. na esperança de ela ainda estar em casa de modo a que eu pudesse lá ir, mas novamente horror dos horrores ela já tinha saído e já estava numa festa muito longe. A chave do carro, essa estava no seu apartamento.
Por descargo de consciência fui ver onde estava o carro estacionado, pois se a bendita chave estivesse no carro era visível do exterior. E assim foi, lá encontrei o carro estacionado e lá vi a chave, ali a um metro de mim, num carro trancado, com a chave do carro num apartamento a 50 metros do sitio do estacionamento, e com a dona do apartamento numa festa algures muito longe no Dubai. A sentença estava traçada: essa noite não ia dormir a casa.
Lembrei-me no meio disto tudo que o colega que tinha jantado connosco, o L., tinha um quarto livre em casa. Ao menos tinha arranjado guarida.
Lá fui ao aeroporto para mais uma viagem de 60 km (ida e volta) levar o J. e finalmente deixei o A. em casa que entretanto me tinha acompanhado na minha viagem de volta ao Dubai e segui a pé para o meu apartamento emprestado. A caminho de lá liguei para Portugal para falar com o meu Amor, mas 10 segundos depois da chamada começar fiquei sem crédito no telemóvel.
Continuei a caminho. No entanto e chegado à porta da torre do L. lembrei-me que não sabia qual era o apartamento e instintivamente peguei no telemóvel… que estava sem crédito. Como diriam os outros, a minha noite até estava a correr bem e agora não tenho crédito no telefone para ligar ao L., e perto do sitio onde eu estava não havia nada para comprar um phone-card.
Acabei a noite a acenar com uma nota de 5 Dirhams (1 Euro) ao monhé porteiro da torre onde iria pernoitar. Ele lá acedeu, liguei ao L. e finalmente descansei um bocadinho.
P.S.
O resto de serão ao som de 3 jolas e amena cavaqueira praticamente deu para esquecer o sucedido…
Tudo começou na Quinta-Feirinha ao fim da tarde, aquele dia da semana que aqui no deserto é o equivalente à Sexta-Feira para as culturas ocidentais. Um colega da equipa de projecto tinha que ser transportado ao hospital pois estava com um ataque de gota o que lhe provocava bastantes dores (a partir de agora o A.). Voluntariosamente eu ofereci-me para o levar ao American Hospital no centro do Dubai. Como iríamos no carro do meu colega, o carro que estava eu a conduzir ficou para uma outra colega (esta será a S.) que pertence ao grupo da partilha de carros e que por acaso essa noite não ia precisar do carro porque ia para uma festa algures muito longe no Dubai.
Chegados ao hospital, e ao contrario do que seria de esperar, após uma rápida viagem, facto quem me levou a pensar “isto hoje está a correr bem”, estive cerca de uma hora à espera que o meu colega fosse atendido e despachado… um tempo bastante satisfatório refira-se. No entanto, e quando estávamos a sair apalpei os bolsos das calças e reparei que não tinha as chaves de casa. Aqui começaram os primeiros suores frios… onde será que estaria a chave? Lá cheguei à conclusão que a tinha deixado novamente no escritório. Menos-mal pois o escritório ficava a caminho de casa e só teria que fazer um pequeno desvio para a ir buscar.
Almoçamos com mais um colega (o L.) no Noudle House, nas Emirate Towers (sempre com o pensamento perdido na cabeça “espero que as chaves estejam mesmo no escritório”) e após o jantar lá fomos para casa. Entretanto a meio da viagem lembrei-me que um outro colega (o J.) ia de flyback a casa e provavelmente não tinha boleia para o aeroporto. Confirmadas as minhas previsões, ofereci-me para leva-lo ao aeroporto o que significava uma viagem de regresso ao coração da cidade. Mas claro, teria que passar primeiro pelo escritório para apanhar a chave.
Finalmente no local de trabalho, constato horrorizado que a chave também não estava na minha secretária. Vasculhei tudo o que eram gavetas e mochila, mas nada… foi aí que começaram os suores verdadeiramente frios, e também todo o meu reportório de injúrias, blasfémias e palavras feias. Após muito puxar pela cabeça lembrei-me que a chave possivelmente estaria no carro que tinha deixado à S., que não ia precisar dele pois ia para um festa algures muito longe (não sei se já tinha dito).
Liguei à S. na esperança de ela ainda estar em casa de modo a que eu pudesse lá ir, mas novamente horror dos horrores ela já tinha saído e já estava numa festa muito longe. A chave do carro, essa estava no seu apartamento.
Por descargo de consciência fui ver onde estava o carro estacionado, pois se a bendita chave estivesse no carro era visível do exterior. E assim foi, lá encontrei o carro estacionado e lá vi a chave, ali a um metro de mim, num carro trancado, com a chave do carro num apartamento a 50 metros do sitio do estacionamento, e com a dona do apartamento numa festa algures muito longe no Dubai. A sentença estava traçada: essa noite não ia dormir a casa.
Lembrei-me no meio disto tudo que o colega que tinha jantado connosco, o L., tinha um quarto livre em casa. Ao menos tinha arranjado guarida.
Lá fui ao aeroporto para mais uma viagem de 60 km (ida e volta) levar o J. e finalmente deixei o A. em casa que entretanto me tinha acompanhado na minha viagem de volta ao Dubai e segui a pé para o meu apartamento emprestado. A caminho de lá liguei para Portugal para falar com o meu Amor, mas 10 segundos depois da chamada começar fiquei sem crédito no telemóvel.
Continuei a caminho. No entanto e chegado à porta da torre do L. lembrei-me que não sabia qual era o apartamento e instintivamente peguei no telemóvel… que estava sem crédito. Como diriam os outros, a minha noite até estava a correr bem e agora não tenho crédito no telefone para ligar ao L., e perto do sitio onde eu estava não havia nada para comprar um phone-card.
Acabei a noite a acenar com uma nota de 5 Dirhams (1 Euro) ao monhé porteiro da torre onde iria pernoitar. Ele lá acedeu, liguei ao L. e finalmente descansei um bocadinho.
P.S.
O resto de serão ao som de 3 jolas e amena cavaqueira praticamente deu para esquecer o sucedido…

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