domingo, outubro 29, 2006

Para ti, meu amor!

Que o que tenha nas mão ilumine o nosso amor para o resto da nossa vida!

Uma estória muito triste

A minha vida no deserto tem por vezes algumas incidências que me fazem desejar que certos e determinados dias não acontecessem. De seguida deixo o relato da minha mais recente aventura, que me ia deixando à beira de um ataque de nervos.

Tudo começou na Quinta-Feirinha ao fim da tarde, aquele dia da semana que aqui no deserto é o equivalente à Sexta-Feira para as culturas ocidentais. Um colega da equipa de projecto tinha que ser transportado ao hospital pois estava com um ataque de gota o que lhe provocava bastantes dores (a partir de agora o A.). Voluntariosamente eu ofereci-me para o levar ao American Hospital no centro do Dubai. Como iríamos no carro do meu colega, o carro que estava eu a conduzir ficou para uma outra colega (esta será a S.) que pertence ao grupo da partilha de carros e que por acaso essa noite não ia precisar do carro porque ia para uma festa algures muito longe no Dubai.

Chegados ao hospital, e ao contrario do que seria de esperar, após uma rápida viagem, facto quem me levou a pensar “isto hoje está a correr bem”, estive cerca de uma hora à espera que o meu colega fosse atendido e despachado… um tempo bastante satisfatório refira-se. No entanto, e quando estávamos a sair apalpei os bolsos das calças e reparei que não tinha as chaves de casa. Aqui começaram os primeiros suores frios… onde será que estaria a chave? Lá cheguei à conclusão que a tinha deixado novamente no escritório. Menos-mal pois o escritório ficava a caminho de casa e só teria que fazer um pequeno desvio para a ir buscar.

Almoçamos com mais um colega (o L.) no Noudle House, nas Emirate Towers (sempre com o pensamento perdido na cabeça “espero que as chaves estejam mesmo no escritório”) e após o jantar lá fomos para casa. Entretanto a meio da viagem lembrei-me que um outro colega (o J.) ia de flyback a casa e provavelmente não tinha boleia para o aeroporto. Confirmadas as minhas previsões, ofereci-me para leva-lo ao aeroporto o que significava uma viagem de regresso ao coração da cidade. Mas claro, teria que passar primeiro pelo escritório para apanhar a chave.

Finalmente no local de trabalho, constato horrorizado que a chave também não estava na minha secretária. Vasculhei tudo o que eram gavetas e mochila, mas nada… foi aí que começaram os suores verdadeiramente frios, e também todo o meu reportório de injúrias, blasfémias e palavras feias. Após muito puxar pela cabeça lembrei-me que a chave possivelmente estaria no carro que tinha deixado à S., que não ia precisar dele pois ia para um festa algures muito longe (não sei se já tinha dito).

Liguei à S. na esperança de ela ainda estar em casa de modo a que eu pudesse lá ir, mas novamente horror dos horrores ela já tinha saído e já estava numa festa muito longe. A chave do carro, essa estava no seu apartamento.

Por descargo de consciência fui ver onde estava o carro estacionado, pois se a bendita chave estivesse no carro era visível do exterior. E assim foi, lá encontrei o carro estacionado e lá vi a chave, ali a um metro de mim, num carro trancado, com a chave do carro num apartamento a 50 metros do sitio do estacionamento, e com a dona do apartamento numa festa algures muito longe no Dubai. A sentença estava traçada: essa noite não ia dormir a casa.

Lembrei-me no meio disto tudo que o colega que tinha jantado connosco, o L., tinha um quarto livre em casa. Ao menos tinha arranjado guarida.

Lá fui ao aeroporto para mais uma viagem de 60 km (ida e volta) levar o J. e finalmente deixei o A. em casa que entretanto me tinha acompanhado na minha viagem de volta ao Dubai e segui a pé para o meu apartamento emprestado. A caminho de lá liguei para Portugal para falar com o meu Amor, mas 10 segundos depois da chamada começar fiquei sem crédito no telemóvel.

Continuei a caminho. No entanto e chegado à porta da torre do L. lembrei-me que não sabia qual era o apartamento e instintivamente peguei no telemóvel… que estava sem crédito. Como diriam os outros, a minha noite até estava a correr bem e agora não tenho crédito no telefone para ligar ao L., e perto do sitio onde eu estava não havia nada para comprar um phone-card.

Acabei a noite a acenar com uma nota de 5 Dirhams (1 Euro) ao monhé porteiro da torre onde iria pernoitar. Ele lá acedeu, liguei ao L. e finalmente descansei um bocadinho.

P.S.

O resto de serão ao som de 3 jolas e amena cavaqueira praticamente deu para esquecer o sucedido…

FC Porto 3 – Benfica 2

Foi por um bocadinho assim. Infelizmente voltamos às derrotas no estádio do fóculporto.

Após estarmos a perder 2 – 0 ao intervalo conseguimos empatar aos 80 minutos de jogo. No entanto, na última jogada no desafio, num lançamento de linha lateral, sofremos o 3º golo. Ninguém sofre golos de lançamento de linha lateral… só o Benfica mesmo. Estamos agora a 6 pontos da liderança, porém com menos um jogo.

Não me apetece alongar muito mais em considerações a respeito…

Para descontrair...

… e uma vez que desta não tivemos que trabalhar, este foi provavelmente o melhor fim-de-semana que passei no Dubai desde que cheguei em Junho, isto não contando claro com a altura em que tive comigo a minha mulher e o meu filho.

Foi um fim-de-semana de praia basicamente. Na Sexta fomos para uma praia aqui perto de casa onde deu para ver finalmente camelos ao vivo e a cores, e hoje, fomos para uma praia deserta a Oeste do Dubai, onde estávamos nós e mais uma família de árabes.

Para chegarmos à praia onde estivemos hoje tivemos que entrar no deserto, como tal tivemos que enfrentar as areias do deserto que se confundiam com a areia da praia, cenário ideal para uns dos Lancers da equipa ficar atolado. Foi divertido ver a preocupação estampada na cara do pessoal. Uns preocupados em desatolar o carro, outros preocupados em apanhar o melhor ângulo para a fotografia.

Para o fim-de-semana acabar em beleza, espero que o meu Benfas vá à Antas obter um bom resultado. Vou ver a bola agora, boa sorte p’ra nós.


sábado, outubro 28, 2006

Benfica 3 – Estrela da Amadora 1

Infelizmente não me foi possível ver o jogo pois nenhum dos canais da Al-Jazeera Sport o transmitiu. Ao contrário do que é habitual, desta vez a estação de televisão decidiu dar preferência ao último grande grémio de F1 da época que consagrou o bicampeão Fernando Alonso, em vez de transmitir o jogo do meu Benfica.

Segundo fui ouvindo pela rádio, o Benfica entrou a perder na partida na primeira oportunidade que o Estrela teve de marcar. Depois disso foi correr atrás do prejuízo. Conseguimos empatar pelo inevitável Miccoli. O Simãozinho marcou mais um golo de penalti (parece que este só lá vai assim), e um surpreende e regressado Kariaka, há muito renegado por Fernando Santos, marcou o 3º golo depois de duas perdidas escandalosas. Mais 3 pontinhos que nos permitiu ficar a 3 pontos da liderança, isto com um jogo a menos.

P.S.
Parece que um tal de Carlos levava uma certa e determinada missão para as bandas da luz. Numa partida que pareceu correctíssima, foram mostrados 18 amarelos e 3 vermelhos, um deles ao italiano Miccoli, que ficará impedido de jogar na próxima jornada frente ao clube regional mais a norte.

P.P.S.
Por falar em clubes regionais, ouvi dizer que esse mesmo clube mais a norte empatou 1-1 na deslocação a Lisboa ao estádio (pausa para risos) da agremiação que aí joga.

quinta-feira, outubro 26, 2006

Eid Mubarak

… prenuncia-se ‘Id mub’rak e significa Feliz Eid. O Eid ou Id al Fitr (“o banquete do término do jejum”) consiste em dois ou três feriados, depende do dia do fim do Ramadão, que marcam o final do mês sagrado.

O Eid pode ser considerado o equivalente ao Natal cristão. É altura de banquetes entre a família, troca de presentes, roupas novas, enfim… um autêntico consumismo muçulmano.

No que toca particularmente à equipa de projecto aqui no Dubai, foram dois dias de trabalho, mas foram dois dias de trabalho descansado pois o escritório esteve deserto. Eram precisos mais dias assim.

O Fim do Ramadão

Finalmente acabou o mês do Ramadão. Infelizmente não tive oportunidade, tempo e paciência, tendo ainda em conta que fiz mais um flyback a Portugal, para fazer posts referentes ao período que agora acabou.

Vou no entanto referir alguns pontos que irei reter na memória sempre que de hoje em diante ouvir falar em “Ramadão”:

- O modo como o início do Ramadão é definido foi algo que me impressionou. Há uma série de muçulmanos que vão para o deserto ver a lua, e quando é visto pela primeira vez o crescente lunar, vão para os Colégios Religiosos onde só aí os Imãs declaram o início do mês sagrado. Inicialmente a minha grande questão foi porque raio não recorrem eles à tecnologia em vez de estarem a ir para o deserto, mas depois lembrei-me que os árabes não tiveram uma época, tal como os europeus tiveram e que pôs fim à Idade das Trevas e Inquisição, chamada Renascimento (ok, há aqui um pouquinho de preconceito racial, eu sei);

- O facto de não podermos comer ou beber no nosso posto de trabalho, nem sequer beber uma aguinha antes do sol se por. Ao início era divertido ir para um cubículo de 3 metros quadrados, mas depois começou fartar;

- A grande debandada que os muçulmanos faziam entre as 14 e as 15 para ir para casa. A saída do parque de estacionamento ficava pura e simplesmente caótica.

- O esforço (ou então não) que as mulheres que trabalham aqui no escritório faziam para não se mostrarem tão decotadas ou tão com os braços e pernas à mostra. Claro que havia algumas que se estavam perfeitamente a borrifar para as novas regras impostas e andavam por aí perfeitamente à vontade… Lembro-me bem de uma irlandesa ruiva espampanante que apareceu aí com top amarelo canário, saia florida, e sapatinho a condizer com o top.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Celtic Glasgow 3 – Benfica 0

Ainda em Portugal vi a antítese do jogo de Leiria. O Benfica foi à Escócia para jogar um o jogo decisivo para a Liga dos Campeões e o resultado foi mais uma derrota por 3 – 0 (ou menos quando é para perder, que seja para perder em grande).

As nossas aspirações de seguir em frente na Liga dos Campeões, e embora estejam 9 pontos em disputa, foram praticamente por água abaixo, mas de facto não se pode dizer que tenhamos merecido seguir em frente este ano.

P.S.
O equipamento beije… bege… beje, ou lá como se escreve esta cor é simplesmente detestável.

União de Leiria 0 – Benfica 4

De regresso a Portugal sou presenteado com uma exibição soberba do meu Benfica. Fomos a Leiria dominar por completo a equipa da casa. O União pura e simplesmente não conseguiu jogar à bola. Mais 4 golos sem sofrer nenhum, facto que permitiu melhorar o nosso goal avarage.

O complicado foi mesmo arranjar um sítio para ver o jogo pois os cafés e restaurantes do costume ou não estavam a transmitir o desafio (?!) ou então tinham um cartaz a dizer “Hoje não temos serviço de café” (este último no Barrete Verde). Acabei por ver o jogo entre “a família” na Casa do Benfica de Alcochete. Entretanto e nas voltinhas para arranjar sitio, não vi o magnifico golo do Micolli.

P.S.
Gostei do equipamento alternativo camisola vermelha e calção preto.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Benfica 4 - Desportivo das Aves 1

O repto foi lançado a meio da tarde: “Pessoal. Venham ver a bola lá a casa que eu faço uma Bacalhauzada à Braz!” Mal eu sabia onde tinha acabado de me meter.

À saída do escritório fomos ao Carrefur, no Mall of the Emirates, com o intuito de comprar bacalhau, ovos e batata palha. Aqui comprei o bacalhau. A batata palha não havia.

Dirigimo-nos então ao Spinneys, local em que de outras vezes já comprei batata palha, mas, horror dos horrores, não tinham de momento. O plano de contingência foi comprar alguns kilos de batatas. (Aproveitei e comprei os ovos que também me tinha esquecido). A dificuldade da tarefa subiu consideravelmente de nível. Seríamos cerca de 10 e eu teria que descascar e fritar batatas para toda essa gente.

Cheguei a casa e ajudado por mais uns dois ou três colegas começamos a descasca-las. A certa altura já tínhamos várias versões de “batatas palha” prontas para ir para a frigideira. Entretanto começaram as batatas a ser fritas e para ganhar tempo e dar rendimento à coisa todos os 4 bicos do fogão estiveram a uso.

Depois de estarem fritas começou-se então a fazer o Bacalhau á Braz propriamente dito, e como a coisa até estava a correr bem, constatámos que tinha feito Bacalhau à Braz apenas para umas 5 pessoas… éramos 9 em casa.

Conclusão: Como em qualquer situação de fazer comida a menos que se preze… sobrou bacalhau.

P.S.
O Benfica ganhou 4-1 ao Aves num jogo que foi mais bater em mortos que outra coisa. Por falar em aves: por causa do golo que o Benfica sofreu, os tratadores da relva ainda hoje devem estar a encontrar penas na baliza do topo Sul.

sexta-feira, outubro 06, 2006

Ski Dubai

Tive a minha primeira experiência na neve… no Dubai. Este paradoxo só é possível graças às últimas tecnologias e algum dinheiro, que permitem ter um congelador de 22,500 m2 no meio do deserto.

Sendo eu um amador no que toca ao ski e ao snowboard, as dúvidas começaram logo na fase inicial. Depois de ter dito ao comprar bilhete que “Sim senhor, sei fazer snowboard, toda a minha vida fiz snownboard, aliás eu acho que nasci numa prancha de snowboard”, quando fui pedir a prancha fui logo confrontado com a primeira pergunta difícil: “Regular or Goofy, sir?”. A minha cara de qu’éstá dizé? deve ter sido algo bonito de se ver. Finalmente lá percebi que Regular é com o pé esquerdo à frente e Goofy é com o pé direito à frente. Pedi para me configurarem a prancha como sendo uma Goofy.
Aqui tive a minha primeira lição: Uma prancha de snowboard não é simétrica. A parte da frente é mais levantada.

Uma vez dentro do complexo, não existem muitas alternativas senão dirigirmo-nos ao teleférico que nos dá acesso às rampas. Este tem dois pontos de saída. Um a meio da pista, outro no topo da mesma. Como era a minha primeira vez decidi sair a meio.

A primeira descida foi feita praticamente a cair para a frente e para trás. No entanto, passadas umas três descidas em que me aguentei em pé pelo menos mais de 10 metros, subi até ao topo, e na verdade a coisa nem correu mal de todo.

A antepenúltima descida é que foi a mais triste de todas. Depois de 400 metros, vindo desde o topo sem cair e faltando uns 20 metros para o final, sou literalmente ceifado pelas costas por outro praticante com tanta experiência como eu. Posso dizer que na queda senti todo o meu corpo a estalar, em especial a parte do osso do sacro. Dei por mim com a minha prancha de snowboard completamente enfiada no meio das pernas do outro senhor. Após ter estado alguns segundos a fazer um full-scan ao meu corpo em busca de algo que estivesse fora do sítio, cheguei à conclusão que o que me doía mesmo (e bastante) era o meu traseiro.

Depois disso ainda consegui efectuar mais duas descidas sem caír, mas 3 horas depois o cansaço (e a dor, e o frio) já se tinham apoderado completamente de mim. Resolvi então sair.

Para mais informações aqui fica o link.
www.skidubai.com

P.S.
À noite, ao tentar visualizar a extensão das minhas dores, descobri que uma certa e determinada parte do meu corpo, aquela que tinha amparado toda a força da minha queda, estava não negra, mas com sangue pisado. Acabei a noite com gelo na respectiva e a ver o FC Porto perder. Vá lá. Nem se pode dizer que tenha sido mau de todo.