sábado, setembro 30, 2006

Outubro

Outubro. Inicio do Terceiro trimestre. Faltam 3 meses para o fim do ano. Faltam 3 meses para o Natal. Faltam 3 meses para que, segundo o que foi inicialmente planeado, termine a minha missão e regresse a Portugal.

Estou no Dubai há 4 meses. Já vai sendo algum tempo. No entanto parece que cheguei ontem e no entanto parece que falta uma eternidade para o fim. Não estou aqui obrigado. Estou aqui por opção, mas isso não faz com que seja menos difícil lidar com a ausência e com a distância.

Fica o registo da data: 1 de Outubro, 00:45. Estou no escritório a um Sábado. O equivalente ao Domingo aqui. Toda a equipa trabalhou o fim-de-semana inteiro. Amanha já é dia de trabalho.


P.S.
Outubro. Já podia começar a fazer um pouco menos de calor. Ouvi dizer que em Portugal já chove e está fresquinho.

Um pouco de excesso!

Um pouco de detergente a mais.

Felizmente tive a calma e a presença de espírito mais que suficientes para não entrar em pânico com esta "festa da espuma" privada. A minha primeira reação perante tal cenário foi: "Onde está a máquina fotográfica?"

sexta-feira, setembro 29, 2006

O Belo Sabor a Portugal

Hoje fiz uma feijoada para o almoço, com enchidos que trouxe da última vez que vim de Portugal. Foi a primeira vez que o fiz do princípio ao fim. Das outras vezes faço-o sempre a par da minha mais-que-tudo, pelo que as feijoadas, entre muitas outras coisa, são feitas em equipa lá em casa.

Posso dizer que o resultado final foi amplamente satisfatório. Creio que excedi mesmo as minhas próprias expectativas.

Lamentavelmente escrevo este post já no escritório, pois vou passar o resto da tarde a trabalhar. O facto de me conseguir ter arrastado até aqui já se pode considerar como tendo sido uma tarefa Hercúlea. Com a agravante de o Ar Condicionado não estar a funcionar, avizinha-se uma tarde altamente produtiva. O termómetro marca 33.

(Anti) Cyclone, The Club

E pronto. Caiu por terra mais um mito. Finalmente conheci esse afamado local que atende pelo nome de “Cyclone, The Club”. Atente-se no pormenor. Não é apenas “Cyclone Club”, é um pomposo e egocêntrico “Cyclone, The Club”.

Para começar a crónica posso dizer que o Cyclone é uma discoteca, mas não é uma discoteca normal. É uma discoteca dedicada ao negócio da noite. Se me perguntarem que musica lá passa a minha resposta é um “não sei”. Passaram duas versões remix da Lambada, e uma outra que me agradou particularmente, e isto fruto de já ter visto “algumas” vezes o filme Madagáscar, foi o I Like to Move It, Move It (ainda agora tenho a musica na cabeça). Senti algumas semelhanças entre algumas assistentes que lá estavam e a hipopótama do filme.

Para entrar dentro do recinto toda a gente paga. Os homens pagam 85, as mulheres 50. Antes de entrar somos revistados duas vezes, temos que mostrar uma identificação (um passe da Carris serve perfeitamente) e temos que mostrar aí umas 3 vezes o bilhete adquirido na altura.

Entramos directamente para o lobby da discoteca, espaçoso e mais ou menos arejado onde está localizado um extenso bengaleiro. O tum-tum-tum frenético deixa adivinhar a barulheira que vamos enfrentar.

Finalmente na “cena do crime”. Finalmente o mito desmistificado. Esperava, tendo a casa o propósito que tem, que o cheiro fosse ao menos agradável ou suportável, mas não. Assim que entro na discoteca propriamente dita entra-me pelo nariz adentro aquele cheiro característico do metro em hora de ponta. Um cheiro a suvaqueira que… Jesus!!!!!!

Continuando. O recinto está milimetricamente divido em duas zonas. A zona das caucasianas, preenchida quase em exclusivo por russas, e a zona do Sudeste Asiático.

Relativamente às russas confesso que fiquei extremamente desapontado. Esperava encontrar coisas que jeito tivessem, mas a grande maioria faziam-me lembrar camiões TIR, algumas e dada a sua envergadura faziam-me mesmo lembrar camiões TIR… com atrelado. Outra característica das russas é terem os lábios carregados de silicone (ou lá o que é aquela coisa que se mete nos lábios… Botox, acho). Raras eram aquelas nesta secção que valiam alguma coisa.

Passando à zona Asiática a coisa muda um pouco de figura. Em primeiro lugar todas elas estão a sorrir. A certa altura pensei se era mesmo sorriso, se era uma anomalia genética, ou se tinham ido ao mesmo cirurgião plástico que o Joker foi no primeiro filme do Batman. Quanto às gajas em si, a maioria parecia ser de Ermesinde. Com a particularidade de parecem todas clones ou fotocópias umas das outras, era possível distingui-las pela altura, e tamanho das mamas (há que dizer as coisas como elas é).

Na zona Asiática todas elas formam um corredor por onde todos os clientes da discoteca são obrigados a passar se quiserem ir para essa zona. É tal e qual uma montra, mas sem vidro. Há medida que se vai passando, elas (com o tal sorriso) vão dizendo naquele tom cantante característico aqui da região “Hellooooo!!!, Where are you froooommmmm?”…. “Where are you from?” dizem elas. Será que faz alguma diferença para o intento delas saberem de onde uma pessoa vem. Ainda estive para lhes responder um “O que tu queres sei eu!” mas acho que elas não entenderiam.

E assim se passou cerca de uma hora no Cyclone, The Club, dando algumas voltas à discoteca para saber como paravam as modas. Numa dessas voltas reparei que a pista de dança adjacente à zona russa já tinha alguns clientes com os seus respectivos engates a dançar de uma forma deprimente.

Ainda tive tempo de cometer o excesso de pagar 33 dirhams (cerca de 7 €) por uma cerveja.

Preciso ainda de acrescentar que havia lá uma asiática com uma dentição que me fez pensar durante algum tempo como é que consegue fazer algumas tarefas do seu trabalho. É que aquilo deve mesmo arranhar.

quarta-feira, setembro 27, 2006

Benfica 0 - Manchester United 1

Mais do mesmo.

Na primeira parte a equipa até jogou rezoalvemente, com um futebol pressionante praticamente sempre jogado no meio campo do Manchester. Não me lembro no entanto de oportunidades claras de golo.

A segunda parte foi uma repetição do que tem vindo a acontecer. A equipa parece que perde a força. Fica apática. Sem determinação.

Depois do que tem vindo a acontecer para a Liga Portuguesa, onde à 4ª jornada já estamos a 8 pontos do líder, na Liga dos Campeões o desempenho é o mesmo.



sábado, setembro 23, 2006

Paços de Ferreira 1 – Benfica 1

Até gostei da primeira parte. Gosto desse jogador que atende pelo nome de Paulo Jorge (grande trabalho no primeiro golo), e gostei do katsouranis, um verdadeiro 2 em 1. Está ali um grande trinco. Está ali o trinco que joga à frente da defesa, e o trinco que aparece na grande área para marcar golos, e que falta nos fez aquele remate ao posto quease no fim do jogo (ou muito me engano ou o Petit tem um lugar no banco garantido).

Na segunda parte a equipa transfigurou-se. Mais uma vez a indisciplina tomou conta da equipa e quanto a mim isso deitou tudo a perder. Porque será?

Fernando Santos: Continua pá! Tu 'tás lá! Falta-te um bocadinho assim!


P.S.
Leo: És uma besta!


P.S. 2
Anderson: És uma granda besta!

Ramadão - A Primeira Argolada!

Tal como disse no post anterior, o início do Ramadão apanhou toda a gente desprevenida. Começamos por notar que algo estava estranho na altura em que fizemos a nossa habitual incursão ao Sábado de manhã à Tania’s Beach (aquela adjacente ao Burj Al Arab). Chegados lá verificamos que não estava praticamente ninguém.

Entretanto a caminho da praia já tínhamos lido numa revista que umas das proibições no Ramadão é ouvir musica alto durante o dia, quer seja em casa, no carro ou em qualquer outro lugar.

À saída da praia não houve qualquer decisão onde iríamos almoçar. Esta decisão foi tomada no percurso de volta e foi impossível transmiti-la ao outro carro pois ninguém atendia os telemóveis. Por essa altura já tocava um CD composto por mim próprio com os melhores sucessos da música Made In Portugal (Emanuel, Toy, Ágata, Quim Barreiros… estão lá todos). Um carro de emigrantes de fazer inveja a qualquer um.

Aproveitamos o primeiro sinal vermelho para comunicar então com o outro carro. Como qualquer tuga digno desse nome, assim que a janela foi aberta os decibéis aumentaram significativamente. Neste momento há mais alguns árabes que conhecem Emanuel e o mítico “Nós Pimba”.

Finalmente chegados ao local do almoço, o choque. Tudo fechado. Fomos perguntar, e os nossos piores receios confirmaram-se: o Ramadão tinha começado.

Com isto, e logo no primeiro dia de Ramadão, já estamos a dever uma ida para a prisão, pois quem não cumpre as regras arrisca-se a ir lá parar. Sorte nossa não haver polícias à volta nessa altura.

Começou o Ramadão

Começou hoje o Ramadão. Ao contrário do que todo o nosso grupo pensava, que o Ramadão só teria começaria no dia 24 de Setembro, o mesmo teve início algures entre a noite de ontem (22) e o dia de hoje (23). Lá mais para a frente tentarei descrever como a hora exacta do início do Ramadão é calculada.

Durante os próximos 30 dias os muçulmanos irão viver aquilo que é o período religioso mais importante do o Islão. Um período com uma lista relativamente bem composta de regras e restrições.

Vou ter o privilégio (espero que seja mesmo um privilégio) de assistir a este evento cultural e religioso na primeira pessoa. Ao longo deste próximo mês irei colocar alguns posts alusivos a este período.

sexta-feira, setembro 22, 2006

1826

Completo hoje 1826 de saudável, feliz e alegre casamento. 5 anos.. e como passaram a correr. Parece que foi ontem que na Igreja dos Jerónimos em Belém tive uma visão que dificilmente alguma vez vou esquecer. No negrume da igreja, com uma imensa luz vinda da rua a entrar pela porta vejo a silhueta da minha noiva a entrar. Confesso que estremeci ao ver tal imagem. À distância de 5 anos essa é a imagem que melhor guardo na memória (esta e a rábula do Sacristão na entrega da noiva ao noivo. Por um bocadinho que não casava com o meu sogro).

Quis o destino, a vida, o karma, chame-se lá o que se quiser, que celebrássemos o nosso quinto aniversário de casamento distantes um do outro, e acredite-se, o dia ainda agora começou e eu já estou a ansiar que acabe. Este está provavelmente a ser o meu pior dia de Dubai, tudo por causa do seu significado.

Hoje não vou poder dar o beijo madrugador de parabéns, não vou poder receber esse mesmo beijo em troca. Não vou poder abraçá-la, não vou poder tocar-lhe, não vou poder sentir o seu cheiro… não vou poder senti-la. Hoje vou sentir a falta do seu praguejar típico a propósito do restaurante onde vamos jantar. “É sempre a mesma coisa!” diz ela, “Nunca és capaz de decidir nada!”, quando afinal sou eu praticamente sempre a decidir qual é programa, isto quando este não está definido há muito. Sim, que apesar de estar juntos há quase onze anos, não perdi o jeito de conseguir surpreender a minha mulher.

Infelizmente não vai ser possível fazer a surpresa que há muito tinha planeada para hoje. Que era meter-me num avião e ir a Portugal passar o fim-de-semana. Isto por ser um associado da DGCI (Direcção Geral de Contribuições e Impostos) que tenta sempre manter as “quotas” em dia… mas isso é outra história.

E assim… acontece. Hoje é fim-de-semana aqui no deserto. Se já é difícil passar os fins-de-semana quando se está sozinho, este então está a bater todas as barreiras. Ainda para mais estou meio engripado, fruto de ter estado anteontem demasiado tempo com o equipamento da futebolzada suado no corpo. Da parte da tarde já decidi que vou para o escritório, talvez isso me faça esquecer que dia é hoje.

Kriduska: Aqui e a esta distância, isto é tudo o que te posso dar. Um grande, grande beijo. Um beijo com 6200 kms. Parabéns!!!


quarta-feira, setembro 20, 2006

Trabalho de Equipa

E porque os azares acontecem, às vezes é preciso mudar um pneu.


Só gajos eramos mais que muitos. Entre mestre-de-obras e supervisores sobrei eu para por as mãos na massa.


terça-feira, setembro 19, 2006

Dubai. Os 100 dias.

O dia de hoje - 19 de Setembro – fica marcado por essa data simbólica que são os meus 100 dias de Dubai. Foi no dia 11 de Junho que aterrei nesta terra, naquilo que foi o início de uma missão de alguns meses (bem longos) longe do meu país, longe da minha casa, longe da minha família, e principalmente, longe da minha mulher e do meu filho.

Após o deslumbramento inicial dos primeiros dias, onde tudo era novo, tudo era grande, tudo era imenso, a rotina começou-se a instalar. Por exemplo, aquilo que inicialmente achava ser arranha-céus fantásticos passou a ser para mim uma paisagem repetitiva e enfadonha.



O trânsito apesar de o ter achado caótico desde o dia em que cheguei começa-se a tornar cada vez mais irritante. Dá a ideia que cada vez há mais carros a circular e cada vez as pessoas daqui conduzem pior. Devo confessar que estou a adquirir certos hábitos e vícios que não tinha em Portugal, em especial a utilização do travão de mão para ajudar em certas manobras.

Culturalmente falando, e apesar deste ser um país árabe, o Dubai não tem qualquer identidade relacionado com o Islão a não ser as inúmeras mesquitas espalhadas por todo o lado e os cânticos do Al-Corão de chamamento para a reza. Fora isso é uma miscelânea de culturas, crenças, e religiões. A propósito, pessoas com passaporte a dizer “Israel” (com aspas e tudo) não entram.

Socialmente distinguem-se 3 grandes grupos. Os árabes, os estrangeiros que trabalham cá, e os outros estrangeiros que encaram o Dubai como a “Terra dos Sonhos” (AKA as Monhés e Filipinos).

1. Os árabes, sendo este o seu país de origem – de notar que as fronteiras políticas na península arábica são meras linhas no mapa, pois há um “livre transito” entre os países da região – sentem-se em casa e como tal fazem o que lhes apetece onde quer que estejam. São pessoas que devido aos rendimentos dos poços de petróleo têm uma vida mais ou menos e nada ostensiva.

2. Os estrangeiros que trabalham nas empresas sedeadas no Dubai, e uma vez que só se vem para cá trabalhar troco de generosas compensações financeiras também têm uma vida razoavelzinha. (Eu estou aqui!)

3. E por último o tais da “Terra dos Sonhos”. Grande parte da população do Dubai é oriunda do Sudeste Asiático, Índia e Paquistão. Esta população esta dedicada à construção civil, e serviços básicos de manutenção. Possivelmente devem esperar encontrar um árabe ou uma inglesa rica que os tire da miséria.


É impressionante o facto de um árabe e um elemento deste ultimo grupo se cruzarem sem sequer darem um por outro. De tão abismal que é a diferença entre os dois, quando se cruzam é como se estivessem pura e simplesmente sozinhos.

Por falar em construção civil pode-se dizer que Dubai é sinónimo de obras, muitas obras. Por toda a cidade se vêm obras, por toda a cidade se vêm trabalhadores de fato-de-macaco. Esta é uma cidade que cresce a um ritmo alucinante, sem qualquer tipo de ordenamento, tudo por vontade do Sheik Mohammed bin Rashid Al Maktoum. Segundo ouvi dizer o sheik pretende que quando o Dubai for visto do lado do Golfo Pérsico seja confundido com Manhatan. Enfim… manias (e haja guita). Com a quantidade de torres e arranha-céus que estão em construção, (não) quero ver como será o trânsito no Dubai quando tudo estiver completo e habitado.


Pais quente, húmido. País cansativo para onde é impossível ir a qualquer lado a pé pois tudo é longe de tudo. A atmosfera, em parte devido às obras, e principalmente devido a estar à beira do deserto arábico está sempre carregada de pó. Espero que o Inverno chegue aqui depressa para se ter temperaturas um pouco mais amenas.

Mas o Dubai também tem coisas boas. Tem os grandes Hotéis e Resorts construídos para os turistas que cá vêm passar férias. Tem montes de gajas bouas, as melhores gajas as mais bem bouas estão aqui no Dubai (e não em Ermesinde), tem o Chicken Katsu Curry do Wagamama, e finalmente tem uma coisa maravilhosa. Uma coisa que me faz renascer sempre que passo por lá sendo eu o principal interessado. Estou a falar das setas que indicam o aeroporto e do aeroporto em si, sempre que vou de flyback para Portugal. Isso sim. Isso é uma sensação que vale por tudo.

Eu por cá me vou aguentado sempre com um grande sorriso nos lábios (é mentira mas não se precisa de saber) a encarar os próximos 100 dias de Dubai que no mínimo ainda tenho que cumprir.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Benfica 1 – Nacional 0

Finalmente vi um jogo do Benfica do principio ao fim esta época. Confesso que não estava esperançado na vitória do Benfica estando inclusive precavido com um lenço branco para assistir à partida. Isto apenas para a eventualidade de ter que acenar simbolicamente com o dito no fim do jogo.

(In)felizmente o Benfica lá ganhou, facto que vai fazer com que o Fernando Santos se aguente aos comandos por mais uns tempos.

Copenhaga 0 – Benfica 0

Em primeiro lugar há que dizer que ao contrário do que estava anunciado o jogo Copenhaga – Benfica não teve transmissão directa no canal ART 4 (um canal por cabo da Arábia Saudita). Ao invés disso este canal esteve a fazer transmissões em directo e alternadas dos jogos da Liga dos Campeões. Contei 3 vezes que passaram a transmissão para a Dinamarca, mas não durava mais que 20 segundos. As únicas coisas que vi do jogo foram dois lançamentos laterais e um pontapé de baliza, tudo a passo de caracol para não cansar muito.

O resultado foi um vergonhoso empate. O treinador ainda veio dizer que um empate foi bom, se bem que podiam ter tido mais agressividade. Lamento profundamente estas declarações. Será que o Celtic e o Manchester também vão perder pontos em Copenhaga? Não me parece.

Com isto (leia-se Fernando Santos) lá se vai arrastando a equipa. Sinceramente não avizinho um futuro muito risonho para o SLB esta época.

quinta-feira, setembro 14, 2006

De novo Dubai. De novo sozinho.

Voltei ao Dubai naquela que será uma nova campanha de 5 semanas. Estou de novo neste grande caldeirão infernal, e nem por ser já início de Setembro faz com que a temperatura e humidade diminuam um bocadinho.

A viagem de volta foi provavelmente aquela que mais me custou a fazer, já contando com a primeira de todas em que não preguei olho a noite inteira. Foi simplesmente terrível. Não conseguia dormir, já não tinha posição para estar na cadeira do avião, e sobretudo, já me doíam horrivelmente as pernas de estar sentado. Finalmente no Dubai, por um bocadinho que adormecia no táxi que me levou a casa. Quase me tinha esquecido do trânsito desta terra.

Mas o mais difícil foi chegar a casa e constatar que desta vez e daqui para a frente, vou estar outra vez sozinho no Dubai. As férias do meu pessoal acabaram e a partir de agora estarei novamente entregue a mim próprio. Tendo agora inúmeras imagens da presença deles aqui nesta terra, espero manter a sanidade suficiente para me aguentar cá longe.

A parte difícil começou…

quarta-feira, setembro 13, 2006

Boavista 3 – Benfica 0

Primeiro jogo da Liga com uma entrada em grande. Poucas equipas dos campeonatos distritais se podem orgulhar de sofrer 3 golos no jogo de estreia do campeonato e a ver 3 jogadores expulsos. Como disse e repito, foi em grande.

(In)felizmente não vi o jogo pois estava num casamento. Ouvi apenas o relato a partir do intervalo. Pelo o que os senhores comentadores estavam a dizer a 1ª parte nem foi má de todo. No entanto a 2ª parte foi o descalabro completo para o Glorioso. Depois do primeiro golo do Boavista a equipa perdeu a cabeça o que levou à expulsão do Nuno Gomes (facto estranho porque este até é um jogador que eu considero correcto), Manu e Petit (parece que este ultimo teceu largos e sentidos elogios à mãe do senhor árbitro).

Quanto a mim, estas situações de “perder a cabeça em campo” só acontecem quando a tensão no balneário é muita. Há algo lá dentro que não está bem e na minha opinião esse algo tem a ver com o treinador.

Por falar em treinador, com os resultados que o Benfica vem vindo a ter desde o inicio da época, espero que o Fernando Santos de tão benfiquista que é, vá para as conferencias de imprensa dizer em alto e bom som que a culpa é do treinador e que o treinador devia ir mas é para a rua.

Termino este post com um sonoro “CHALANA A TREINADOR!!!!”

quarta-feira, setembro 06, 2006

Portugal!-Portugal!

Há uns anos atrás havia um anúncio na televisão em que Portugal era dito com a cadência de uma batida cardíaca: “Portugal-Portugal”. Creio que foi por ocasião do Euro 2004 e o anúncio era de uma rede de hipermercados.

Neste momento estou de regresso a terras lusas naquele que é o meu segundo flyback, e no dia da viagem a voz que andava constantemente a falar-me na cabeça dizia apenas como no anunico “Portugal-Portugal… Portugal-Portugal… Portugal-Portugal”.

O regresso teve no entanto alguns percalços. Começou logo no checkin da bagagem ainda no Dubai, onde o senhor muito simpaticamente começou por dizer que tinha 17 kg mais, e que tinha que tirar pelo menos 10. Isto de um total permitido de 60 kg, pois éramos 3 e cada um poderia levar 20kg. Ainda estive algum tempo a tentar compreender como é que tendo levado apenas 2 malas para o Dubai, conseguimos regressar com 3 malas completamente cheias e ainda com 17 kg a mais, mas acabei por desistir. Lá começou então a operação de “baralha e torna a dar”, tendo-me valido a presença de um colega que viajava connosco no mesmo voo.

Chegados a Paris começou o grande stress. O tempo de chegada entre o avião proveniente do Dubai e a hora do avião que nos levava a Portugal era relativamente curto, cerca de uma hora. Isto aliado ao voo do Dubai ter chegado atrasado podia adivinhar um final muito triste. O avião era para ter chegado às 6:15 hora local, chegou eram 6:30 e ainda demorou uns 10 minutos para abrirem as portas. O voo para Portugal era às 7:20.

A primeira coisa que fiz quando saí do avião, foi dirigir-me a uma hospedeira de terra da Air France e pedir-lhe simpaticamente por um “Buggy” que me levasse ao checkin do avião para Portugal. Ela respondeu-me naquele inglês francófono “The bags are this way”. Tornei a insistir com o termo buggy e depois com Electric Car, ao que ela olhava para mim com aquele ar de “que’stá dizé?”. Depois de alguém que estava ao meu lado lhe ter explicado o que eu pretendia ela lá me respondeu que não sabia de nada. Eram 6:50, o voo para Portugal partia às 7:20.

Começa a corrida que teve como ponto de partida o cais de desembarque 2F e como destino o cais de desembarque 2D. Não sei precisar ao certo mas creio que de um ponto ao outro deve ser bem mais de 1 km… a andar a pé. No entanto, a correria acabou logo na primeira curva. A imagem que se afigurava à minha frente era algo que não queria acreditar. Um “Passport Control” estava a atrasar a saída de toda a gente naquele cais de desembarque. Deviam estar umas 200 pessoas à minha frente. Dirigi-me (já não tão) simpaticamente a outra hospedeira dizendo que estava em trânsito, que tinha outro avião daí a uns minutos, que tinha uma criança pequena e que ainda tinha um longo percurso a fazer. A senhora francesa, de grande porte diga-se, disse-me que todos estavam em trânsito e que tinha que esperar como todos os outros. Eram 6:55, o voo para Portugal partia às 7:20. Tinha cerca de 1 km para percorrer a pé.

Os momentos que se seguiram foram de verdadeiro orgulho nacional. Todas as palavras feias, expressões menos abonatórias, calão, baixo calão e outras palavras e conjugações na língua do grande Camões foram por mim ditas nos 5 minutos seguintes. Tudo claro, em abono dos nossos amigos franceses. Como exemplo capaz de figurar num blog de respeito que é este, pode-se dizer que “vaca gorda do…” foi uma expressão bastante utilizada. Eram 7:00, o voo para Portugal partia às 7:20. Tinha cerca de 1 km para percorrer a pé.

Fui ter então com outra hospedeira, esta de tez negra, exactamente com os mesmos argumentos e a senhora simpaticamente disse-me que tinha tempo mais que suficiente para chegar ao outro cais de embarque (Houve aqui uma repetição do referido no paragrafo anterior.)

Miraculosamente a fila começou a andar. Em 5 minutos dava-se início à “grande corrida”. Criança ao colo num braço, sacos no outro, e lá vai a família em corrida ou em passo de corrida em direcção ao cais 2D. Eram 7:15 quando chegámos. Creio que em condições normais as portas de um avião já estão fechadas num voo que parte daí a 5 minutos. Felizmente o voo para Portugal estava atrasado.

Embarcamos. Assim que chegamos dirigi-me à minha mulher e disse-lhe “Olha amor. Já cheira a Portugal!”. O compartimento da bagagem respeitante aos nossos lugares tinha um cheiro a peixe que mais parecia que tínhamos chegado ao mercado do peixe da Praça da Ribeira nos seus tempos áureos.

Finalmente descolámos. A voz a dizer “Portugal-Portugal” estava novamente a falar-me na cabeça, desta vez de uma forma mais intensa. Durante a viagem ainda houve tempo para mais uma hilariante situação por altura em que um comissário de bordo vem oferecer uma lembrança ao meu filho, ao que eu contraponho que já tinha um igual. Ele, indignado, diz-me algo como “Então eu estou a oferecer uma coisa e vocês dizem-me que não querem pois já tem uma igual.” Estava cansado, estava a chegar a Portugal. Não tive paciência para lhe responder.

Finalmente em Portugal deu para sentir novamente o cheiro do meu país. Estava calor mas um calor diferente daquele a que não me consigo acostumar no Dubai. Nessa noite já dormi na minha cama. Acordei cedo porque o meu filho ainda devia estar no fuso dos Emiratos. Eram 7:50 estava a abrir a janela do meu quarto, a sair para a varanda e a sentir a brisa fresca da manha. Foi possivelmente a melhor sensação que tive nas últimas semanas. Finalmente senti-me em casa, e que saudades eu tinha… “Portugal-Portugal”