terça-feira, fevereiro 20, 2007

Essa Já Mítica Feijoada

Já aqui postei uma vez que experimentei fazer feijoada à portuguesa há uns tempos atrás. Depois disso houve mais duas tentativas, a última das quais no fim-de-semana antes de ir a Portugal, e para toda (ou quase) a equipa do projecto. Contei desta vez com a ajuda um colega, e de alguns curiosos que volta e meia lá iam meter o nariz no tacho. Aqui ficam os factos marcantes:

8:30
De véspera já tínhamos deixado 2 kilos de feijão de molho e como estava com algum receio que não cozesse a tempo, à hora que acordei desencadeei imediatamente o processo. Utilizei para isso uma panela de pressão e uma panela normal. Dada a minha inexperiência com panelas de pressão por um bocadinho que não tivemos em vez de feijoada uma bela massa de feijão. Aquilo é que foi bonito de ver duas panelas ao lume (força de expressão pois na realidade é uma placa) a cozer feijão. O cheiro esse, demorou dois dias a desaparecer.

O Tacho
Um dos obstáculos que se nos era apresentado era onde fazer feijoada para 20 pessoas. Encontramos um tacho com capacidade para 10 litros que apesar de encolher substancialmente cada vez que novos ingredientes eram adicionados, foi capaz de comportar a referida quantidade.

Fazer o Almoço, “Mas Com Tranquilidade”
Às 10:30 já tinha o feijão cozido. Tratei de enviar por SMS a noticia aos restantes organizadores. Ao fim da manhã começo a receber as primeiras respostas e entretanto resolvemos ir tomar o pequeno-almoço. Como a hora marcada era às 12:30 e já não faltava muito para lá chegar, resolvemos passar a palavra pelos restantes convivas de que havia um atraso de uma hora.

Falsa Partida
Chegados ao apartamento onde a grande alquimia se iria desenrolar foi por mão à obra. O refogadinho com a cebola comprada já picada (essa grande invenção da humanidade) e o azeite. Mas onde estaria o azeite? Perguntei ao dono da casa: “Olha lá. Onde é que tens o azeite?” ao que a resposta foi “Qual azeite?”. Fui a casa buscar então os ingredientes que estavam em falta ou que “hipoteticamente” poderiam via a faltar. Escusado será dizer que as 13:30 já tinham passado à algum tempo.

A Versão Vaca
Uma vez que temos na equipa dois colegas que são muçulmanos, e como tal não comem porco, vimo-nos obrigados a contornar mais esse pequeno obstáculo. Fizemos para eles uma feijoada sem porco e sem enchidos, apenas com carne de vaca. Ficou conhecida como a “Versão Vaca”.

O Arroz, Esse Expansível Cereal
Como não há feijoada sem arroz, e como só alguma experiência permite dosear arroz para 20 pessoas com alguma precisão, comprámos um pacote de 2 kilos de arroz - ‘Tá certo 2 kilos de arroz para 2 kilos de feijão (deixava antever que algo se iria passar). Claro está que o segundo maior tacho foi designado para a cozedura. A dosagem foi “uma caneca deve dar para dois” (na realidade se viria a comprovar que daria para uns 3 ou 4); os dois kilos foram direitinhos para dentro do tacho. O mesmo teve que ser tirado do lume quando o arroz durante a cozedura chegou à bordinha. Aquilo que já estava a ser divertido tornou-se completamente cómico quando o arroz continuou a inchar dentro do tacho já na mesa. Após finalmente tirar a tampa, e quem visse o bendito tacho de perfil, via o formato da mesma como que uma coroa branca, género caneca de imperial.
Nota: O arroz, ao contrário do que pode parecer ficou bem bom. Nem espapaçado, nem cru: ficou no ponto.

17:30
Já ia o sol quase a pôr-se no horizonte quando finalmente começamos a almoçar. Os organizadores estão no entanto em crer que valeu a pena. O resto do pessoal também acho que gostou.


Legenda:
1. Tacho grande: A Feijoada
2. Tacho médio: Os dois kilos de arroz
3. Tacho pequeno: A Versão Vaca
4. Em cima à direita: Surrapa de pacote da boa
5. Não tão em cima à direita e em baixo à esquerda: As miticas portuguese rolls
6. Não tão em baixo à esquerda: Um queijinho da ilha de S. Miguel levado para o Dubai no inicio da ultima comissão.

P.S.
Passado um pouco de acabarmos de almoçar, fomos a uma partidinha de squash. É sempre bom e ajuda a digestão.

P.P.S.
Abençoada água das pedras que me caiu literalmente do céu momentos antes de me ir deitar.